Paradoxo Starbucks 2026: Reestruturação nos EUA e Crescimento no México (via Alsea) Por que Ninguém Explica Isso?

(De Maqueda e Maurizio) Se você quer entender o futuro do varejo, não olhe para os lucros. Olhe para as energias contrastantes. A Starbucks não enfrenta um problema financeiro; ela enfrenta uma crise ontológica. Enquanto o México prospera como um ecossistema resiliente, o mercado norte-americano se contrai como se tivesse esquecido sua própria mitologia.

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Isso não é meramente uma diferença de mercado. É o diagnóstico perfeito da mudança de época que estamos vivendo: o abismo entre marcas que administram e marcas que habitam.

O Diagnóstico que a "Imprensa do Setor" Não Publica Por Não Ser Politicamente Correto: Esquizofrenia Corporativa

  • Brian Johnson não enfrenta uma reestruturação; ele enfrenta uma dessincronização cultural. A queda de 85% nos lucros nos EUA não é um mero número contábil. É o sintoma de uma marca que, entre 2017 e 2023, cometeu o erro geracional mais caro do século: acreditar que a digitalização sozinha poderia substituir o ritual físico.

  • Um passo em falso similar ao da Nike, que a Adidas soube aproveitar, fazendo o oposto e antecipando o retorno do trade marketing, patrocínios e ativações anos 90, somado à expansão experiencial phydigital de 2030.

  • A Starbucks nos EUA se transformou em uma máquina de eficiência logística: app, drive-thru, produtos. Mas matou seu próprio arquétipo: o "terceiro lugar". Não o café, mas a pausa sagrada – o espaço liminar entre a casa e o escritório. Enquanto isso, a Alsea no México fez o oposto: não apenas vendeu café; cultivou micromomentos de pertencimento.

  • Hoje, aquele espaço não é mais apenas um espaço para o mercado norte-americano, porque em lugares como EUA, Argentina, Austrália, a concorrência (grande e pequena) o oferece de forma muito melhor.

O que Isso Revela Sobre o Varejo 2026

  1. A verdade inconveniente: o México é um mercado de implementação estável que precisa da Starbucks moderna, que, por sua vez, está em um estágio de evolução temático-experiencial muito abaixo dos EUA – e mais ainda abaixo do Brasil, Argentina, sem falar em mercados como Miami, Nova York, Los Angeles ou Dubai.

  2. O México contribui com 39% da receita da Alsea não porque é "barato", mas porque entendeu algo que Seattle esqueceu: o varejo hoje é um serviço cultural, não uma transação. As 76 aberturas planejadas para 2026 não são expansão geográfica; são invasões sutis de universos temáticos.

  3. Já a Argentina – após décadas de deriva econômica – agora busca reclamar seu esplendor, e para a Alsea, a rentabilidade da Starbucks ou do Burger King permanece elusiva. Eles deveriam repensar seu modelo de negócios em direção a novas experiências temáticas de alto valor, que sejam lúdicas, emocionais, experienciais e cocriadas com marcas e personalidades. A Starbucks hoje nos EUA precisaria reinventar cada loja, não apenas com arquitetura inovadora, mas com experiências temáticas, museologia da marca, expandindo drasticamente o boutique, tornando cada local um lugar verdadeiramente especial, e abandonando a estratégia do "não-lugar". Aproveitar a cocriação e colaboração com outras marcas, com franchises de jogos, com a Fórmula 1, com filmes e séries, com fashion houses, com brinquedos – o foco deve estar em monetizar a operação.

  4. O que faz sentido de uma perspectiva centenária pode não fazer hoje. O caminho a seguir não é meramente melhoria; é reversão a uma cultura de serviço dos anos 90 de hospitalidade e cuidado, enquanto se expande a cultura para ofertas multi-experienciais (phydigital) e multi-categoria, o que implica "reinvestir pesadamente e reestruturar simultaneamente". (Isso não está acontecendo, ou não é possível, no momento.)

  1. A nuance de mercado é difícil de captar, mas o mercado norte-americano clama por "parques temáticos de marca", selvas urbanas com misturas tecnológicas de nível 2030, e lugares únicos onde novos mundos se combinam – Starbucks com Star Wars, por exemplo – e marketing na escala da F1, LVMH. Isso é saudável, longe de utópico (e está acontecendo), porque caso contrário o mercado estagnaria e a Ásia inundaria com cafés e produtos mass-market – desempenho forte, mas baixa experiência e criatividade (como em outras categorias).

  2. Em contraste, o México anseia por uma nova Starbucks, e isso basta por agora. Nos EUA, o momento pode ser diferente.

A Disrupção Central:

O México opera no modo "investimento experiencial". Os EUA operam no modo "sobrevivência financeiramente pragmática". Dois metabolismos opostos dentro do mesmo corpo corporativo. O mercado – uma entidade intangível – sente isso. A energia de uma loja abrindo com uma narrativa fresca versus uma fechando com uma planilha antiga é palpável a nível celular.

A Bifurcação Energética

  • A Starbucks não vive duas realidades financeiras. Ela vive dois estados de consciência corporativa. O México representa o investimento no futuro experiencial. Os EUA representam a reestruturação do passado transacional. Este paradoxo é o espelho do setor: você pode ser a marca que o mercado exige (universal, temática, generosa, colaborativa) ou a marca que seus resultados financeiros a forçam a ser (eficiente, redutora, defensiva).

Em 2026, a pergunta não é "o que você vende?" É "que energia sua loja irradia?" O México entendeu isso. Os EUA têm tempo para se lembrar. E a sua marca, em que lado do paradoxo você está?

Lição Histórica: Quando a Eficiência Destrói a Mitologia

  • Lembre-se: Howard Schultz não fundou uma cafeteria; ele construiu uma catedral secular de encontro. Nos anos 90, a Starbucks era pura generosidade de marca: sofás, música curada, nomes nos copos. Depois, a obsessão pelo EPS a transformou em uma fábrica de Frappuccino. O erro não foi o crescimento; foi confundir escala com alma.

A Nike cometeu o mesmo erro: priorizar o dropship em detrimento da experiência comunitária na loja. Ambas as marcas aprenderam tarde que a Geração Z não compra produtos; ela adota tribos. E tribos precisam de territórios físicos para realizar seus rituais.

Os 15 Mandatos Acionáveis (Para Evitar Ser a Starbucks dos EUA na Sua Indústria)

 

  1. Sua loja não é um ponto de venda; é um dojo da marca. Um espaço onde uma filosofia é ensinada e vivida.

  2. Crie rituais únicos de chegada. Aroma, as primeiras palavras do barista, a iluminação – coreografe-os.

  3. Introduza pelo menos uma colaboração local/micro-temática por trimestre. Com um padeiro, um artista de rua, uma marca de roupas do bairro.

  4. Treine a equipe como "guardiões da cultura da marca", não como caixas. Sua função é tecer comunidade.

  5. Projete pelo menos um "cantinho instagramável" por loja que conte uma história visual, não apenas exiba produto.

  6. Rotule espaços por "estados emocionais" ("Canto do Desconectar", "Mesas de Colaboração", "Varanda do Observador Urbano").

  7. Crie ofertas "produto-ritual" exclusivas para consumo in-store apenas.

  8. Faça "ativações phygital": um evento na loja amplificado digitalmente, mas tátil em sua essência.

  9. Sua música não é ambiente; é curadoria emocional. Deve mudar com o horário e o fluxo de clientes.

  10. Ofereça "serviços de contexto", não apenas produtos. Workshops de pour-over, palestras de barista, noites de leitura.

  11. Desenvolva uma arquitetura da generosidade. Espaços de trabalho gratuitos, água aromatizada gratuita, estações de carregamento visíveis.

  12. Crie um programa de "embaixadores do bairro". Clientes frequentes que organizam microeventos em seu espaço.

  13. Meça o sucesso com métricas de "densidade experiencial": tempo médio de permanência, interações sociais observadas, conteúdo gerado organicamente no local.

  14. Projete cápsulas sazonais imersivas. Não apenas atualize a decoração; reescreva toda a narrativa do espaço por um período limitado.

  15. Contrate um "Head de Cultura Local". Sua função é mapear os rituais, códigos e mitos do bairro e traduzi-los na experiência.

O Futuro Jogado no Porão (Ou na Terraço)

A Copa do Mundo de 2026 não é uma chance de vendas para a Starbucks México; é a desculpa perfeita para uma mutação total. Imagine lojas transformadas em hubs de transmissão, com coffee bars temáticos por país, DJ sets de soundtrack global. Isso não é marketing; é geopolítica cultural em forma de café.

  • Enquanto isso, nos EUA, fechar 500 lojas é a poda necessária para um renascimento. Mas o renascimento só virá se entenderem que não precisam de mais apps, mas de mais mitologia. Precisam se reconectar com seu arquétipo fundador: ser a ágora moderna, a praça pública habilitada por tecnologia onde ideias são negociadas, não apenas lattes comprados.

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