A narrativa pré-fabricada de “Bad Bunny conquista a América” se choca com a frieza das métricas.
Mas aqui está o verdadeiro insight que apenas 0,5% dos estrategistas de mídia compreendem: isto não é um fracasso, é um aprendizado “forte”. É a revelação mais clara da próxima década no entretenimento de massa. Tampouco foi o sucesso que todos querem vender por fanatismo.
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A única realidade é que, se tivesse sido este show com participação cocriativa de música em inglês e com zero simbologia oculta, e sem um “teatro” que aposte em agendas que já está claro que criam mais rejeição que adesão, teria sido muito melhor.
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Quando interesses de poder excessivos se intrometem no esporte, na música, na produção de conteúdo, na ciência, na política, nos negócios, destroem a essência de tudo. Surge uma “sabedoria coletiva” que reage, mesmo quando as manipulações são disfarçadas ou camufladas.
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O miragem da audiência hispânica para continuar impulsionando outros temas como o “wokismo” ou tendências tendenciosas disfarçadas de latinismo, embora gere fanatismo e uma isca inconsciente, também gera muitas rejeições. E esta dualidade está sendo, no fundo, um sucesso parcial a curtíssimo prazo e um fracasso “de meio tempo”.
A Cruda Aritmética do Poder Cultural
A sequência é inapelável:
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2021 (The Weeknd): 102M
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2022 (Dre, Snoop, Eminem, Mary J. Blige, Kendrick Lamar): 112M
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2023 (Rihanna): 121M
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2024 (Usher): 129,3M
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2025 (Kendrick Lamar): 133,5M (pico histórico)
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2026 (Bad Bunny): 128,2M
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Michael Jackson (1993): 133,4M
O show de Bad Bunny não apenas não superou o teto de K.L., como retrocedeu a níveis inferiores até a 2024. E isto ocorreu com o artista mais “streamizado” globalmente, o ícone latino por excelência, em um ano em que a demografia hispânica nos EUA superou 65 milhões. A tese da “conquista latina” do mainstream parece, neste escrutínio, uma ilusão.
O que é grave, e muito para o Super Bowl, é que este show permitiu criar uma competição que não existia – que alcançou quase metade da audiência no YouTube ao mesmo tempo do show do intervalo. Isto é um fato drástico que evidencia um erro de programação e de marketing (mas essa análise vemos em particular em outra nota).
O erro é pensar em termos binários: sucesso ou fracasso.
A Paradoja Bad Bunny: Engajamento vs. Alcance
Enquanto a Nielsen media televisores ligados, outra batalha ocorria em tempo real – mas alguém mede quanta gente está contra, ou em um desinteresse marcado que não tem uma hashtag?
A dualidade, a brecha, a briga… Está sendo um péssimo negócio? Voltar-se-á a êxitos de valor e talento real que não são “impostos”, ou que não são produto de choques alheios à arte em si, e que têm mais a ver com excelência, superação, elevação?
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TikTok LIVE registrou um pico simultâneo de 4,1 milhões de espectadores durante o show, um recorde para um evento esportivo na plataforma.
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X (Twitter) teve 18,4 milhões de tweets com a hashtag #BadBunnyHalftime, superando #SuperBowl em tendência por 47 minutos.
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As buscas no Google por “Bad Bunny Super Bowl Jacket” aumentaram 28.900% em 24 horas.
Aqui reside outra verdade disruptiva: o Super Bowl já não é apenas um evento de TV, é “crossing”, “phygital” como tudo. É um evento de “content fuel”. Seu valor principal não é entregar 130 milhões de espectadores passivos; é gerar 48 horas de conteúdo atomizado, hipercompartilhável e culturalmente relevante para todas as plataformas digitais. Bad Bunny, mestre na estética viral e na performance “meme-ready”, entregou isso em excesso.
Isso ninguém nega.
Novamente, o que teria acontecido se o show tivesse sido sem simbologia “oculta” que aparece como evidente – por mais que se a disfarce –, com muito mais respeito também pela língua e espírito estadunidense, com outros artistas integrando este show?
A Verdade que Dói nas Redações de Miami, EUA e do Mundo
A queda de audiência do Halftime Show de Bad Bunny é um sintoma de uma doença maior no jornalismo de negócios e entretenimento: a tirania da imediatez emocional sobre a análise rigorosa.
Os “repórteres e editores” que informaram números preliminares recorde cometeram o pecado capital de 2026: confundir tendência social com resultado quantificável.
O futuro não pertence a quem grita primeiro. Pertence a quem, como os produtores de elite que já estão planejando (ajustes) o Super Bowl LX, entende que o valor já não se acumula em um pico de audiência, mas no comprimento e profundidade do engajamento posterior.
O show de Bad Bunny não quebrou o recorde de audiência. Mas pode ter quebrado, para sempre, a ilusão de que um número de redes define o sucesso.
Na nova economia da atenção, tudo é mais complicado e é preciso pensar muito mais no futuro.
O boom de likes é importante, claro. Mas os 128 milhões de espectadores “tradicionais” que geram 5 bilhões de impressões digitais valem mais que 135 milhões que veem a TV e vão dormir sem fazer postagens, mas que compram, ou participam na vida de um produto ou serviço ou instituição mais?
As redes sociais são sinônimo de fanatismo imediato ou de clientes fiéis?
A única certeza é que impacto não é o mesmo que relevância. Ruído não é o mesmo que trajetória. Pico não é o mesmo que continuidade. E talvez a busca pela imediatez nos líderes do entretenimento deva ser harmonizada pela busca, novamente, do talento sustentável.
5 Dicas Estratégicas que os Produtores de Elite Entendem (e os Repórteres Emocionais Não)
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Desacople “hype” de “impacto”. O hype é ruído midiático prévio, gerado por RP. O impacto é a mudança duradoura na percepção da marca, vendas de ingressos ou streams pós-evento. O show de Bad Bunny gerou hype monumental. Seu impacto na audiência de TV poderia ou deveria ter sido ainda melhor, mas isso não significa que foi um fracasso, mas um alerta, pois pela primeira vez se gerou uma competição muito marcada… uma rejeição tão forte que gerou o que antes nunca havia sido gerado: uma desconformidade que outro capitaliza em uma competição direta, algo impensável até 2025. Sua lição: Meça sempre o resultado final contra uma métrica de negócio concreta, não contra o volume de menções.
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Domine a economia dos “micro-momentos”. Um espectador que vê 30 minutos na TV vale 1 ponto na Nielsen. Um fã que grava um clipe de 15 segundos do show, o sobe no TikTok com uma hashtag patrocinada e gera 500 mil visualizações vale 10 vezes mais em engajamento e dados atribuíveis. Sua estratégia: Projete experiências para serem “clipadas” e remixadas, não apenas para serem vistas.
3. Entenda que Audiências são Ecossistemas, Não Demografias
Dizer "audiência hispânica" é um erro estratégico do século XX. A realidade de 2026 é mais complexa e valiosa:
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Audiência bilíngue do TikTok: 18-28 anos, consome conteúdo em espanhol e inglês, valoriza autenticidade viral
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Família que assiste junta na TV aberta pela Univisión: múltiplas gerações, busca conteúdos familiares, valoriza tradição
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Purista do reggaetón em streaming: 16-35 anos, consome música como identidade tribal, rejeita o "mainstreamizado"
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Executivo bilíngue em plataformas premium: 30-50 anos, consome em Apple TV, Netflix, valoriza produção de alta qualidade
Bad Bunny apostou fortemente no primeiro e no terceiro, mas perdeu segmentos do segundo.
Seu movimento estratégico: Mapeie os 4-5 micro-ecossistemas dentro de sua audiência-alvo e crie um "hook" específico para cada um. "Dividir e conquistar" está ficando caduco. "Unir e buscar encontros" é mais difícil, mas infinitamente mais poderoso.
4. A "Verdade Oficial" é a Última a Chegar. A "Verdade Digital" é a Primeira
Os relatórios preliminares e artigos emocionais que pregavam um recorde basearam-se em:
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Tendências sociais (hashtags em alta)
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Projeções algorítmicas (taxa de engajamento inicial)
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Vieses de confirmação (o que queríamos acreditar)
Os dados da Nielsen são a Pedra de Roseta final:
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128,2M vs 133,5M esperados: diferença de 5,3M
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4% de queda na audiência de TV tradicional
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Mas 300% de crescimento no engajamento digital da Geração Z
Sua disciplina estratégica: Na era da IA generativa e da velocidade digital, a paciência é o novo superpoder. Esperar 72 horas por dados concretos antes de declarar vitória é o que separa líderes de seguidores.
5. Converta a "Queda" em uma "Recalibração"
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Para a NFL e seus patrocinadores em 2026:
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O modelo antigo:
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Alta audiência TV = Sucesso = Preços premium de patrocínio
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O novo modelo:
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Audiência TV (estável) + Engajamento digital (explosivo) + Dados de usuário (rico) = Valor integral
O próximo contrato de direitos do Halftime Show não será vendido apenas por ratings de TV; incluirá cláusulas de:
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Amplificação em redes sociais (mínimo de shares, views)
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Merchandising digital (NFTs, colecionáveis digitais)
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Compartilhamento de dados (perfis demográficos, preferências)
Sua visão: Não chore por um KPI obsoleto. Invista naquele que está ascendendo. Nada é mais importante que a satisfação sustentada. Todos estão atrás do impacto nas redes. O vital é o que você faz pelas pessoas de maneira real e sustentada.
Pergunta Estratégica Final
Sua empresa ainda está medindo gotas em um balde, ou já está navegando a tempestade digital, já percebeu que a cultura, a harmonia de sair das tendências tendenciosas é o mais estratégico?
O futuro pertence a quem entende que audiências são ecossistemas vivos que respiram em múltiplas plataformas simultaneamente. E que valor real não se mede em picos de audiência, mas em profundidade de engajamento e sustentabilidade de impacto.
Leia com Sabedoria, Seja mais Esperto!
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